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Nádia Silva e a elegância silenciosa de quem recomeça

Há histórias que não se constroem com pressa. Elas amadurecem em silêncio, atravessam fronteiras, acumulam perdas, coragem e escolhas difíceis, até se tornarem inevitáveis. A de Nádia Silva é assim.

Portuguesa, 35 anos, residente em Bristol desde 2017, Nádia carrega no olhar a serenidade de quem aprendeu cedo que recomeçar não é sinal de fraqueza, mas de lucidez. Filha única, ambiciosa e movida por desafios, cresceu com um profundo sentido de responsabilidade familiar e uma inclinação natural para o cuidado, das pessoas, dos detalhes, daquilo que não se vê à primeira vista.

Antes da estética, houve outros caminhos. Formada na área de seguros, viveu em Portugal a exaustão de conciliar múltiplos trabalhos num país que, à época, oferecia poucas perspetivas de futuro. Foi nesse contexto que aceitou o convite quase secreto de uma amiga que se havia mudado para Bristol. Em 12 de setembro de 2017, aterrou no Reino Unido sem certezas absolutas, mas com uma convicção clara: não ficar parada.

Em Bristol, encontrou um setor que jamais imaginara integrar, a área da saúde. Como auxiliar de cuidados, passou a trabalhar diretamente com pessoas, num exercício diário de empatia, resistência emocional e presença. Como tantos emigrantes, enfrentou dias de solidão, dúvidas e a tentação de desistir. Mas nunca baixou os braços. Cada obstáculo foi absorvido como parte de um processo maior de crescimento.

Nádia Silva – Foto: Reprodução

A vida, no entanto, não se limita a sobreviver. Em 2025, Nádia sentiu que precisava mais. Mais realização, mais identidade, mais futuro. Foi então que a estética, presente desde a infância, nos gestos simples de cuidar do cabelo, das unhas, da maquilhagem, voltou a ocupar espaço. Limpezas de pele e microagulhamento surgiram quase como um chamado. Antes de avançar, procurou diálogo, ética e alinhamento. O apoio recebido foi decisivo, não apenas validação, mas incentivo genuíno para seguir.

Vieram as formações online, uma viagem a Portugal para aprendizagem presencial e depois uma formação estruturada em estética em Bristol. Entre estudos, prática e disciplina, nasceu um novo capítulo profissional, hoje exercido em regime de part-time, em equilíbrio com o trabalho na área da saúde. Nesse percurso, ganhou mais do que técnica: encontrou mentoria, parceria e uma amizade que a inspira profundamente.

Fora do trabalho, Nádia cultiva equilíbrio. Ginásio, leitura, especialmente sobre desenvolvimento pessoal, cafés tranquilos, cinema, noites de Netflix e sonhos de viagens que não se resumem a regressar a casa. Sociável, embora reservada em novos ambientes, aprendeu a respeitar o próprio ritmo.

A perda do pai, em 2014, foi um dos momentos mais determinantes da sua vida. Ele era o seu maior orgulho. A ausência ensinou-lhe a urgência do presente, o valor da família e a responsabilidade de se tornar alguém que honrasse esse amor. A mãe tornou-se o centro, a âncora e o futuro a proteger. Desde então, Nádia aprendeu a transformar dor em direção.

Embora nunca tivesse planeado uma formação académica, a vida ensinou-lhe que nunca é tarde. Aos 35 anos, concluiu um curso na área da saúde (NVQ Level 3) e começa a considerar, com maturidade, a possibilidade de ingressar numa universidade. Aprender, para ela, deixou de ser um objetivo, tornou-se um modo de viver.

No contacto com os clientes, o seu trabalho revela-se mais profundo do que qualquer procedimento. Nádia entende que muitas pessoas procuram respostas para inseguranças antigas, preconceitos internos e autoestima fragilizada. Por isso, escuta, observa e cuida. Cria confiança antes de criar resultados.

Nádia Silva – Foto: Reprodução

A flexibilidade é outro dos seus diferenciais. Vivendo sozinha noutro país e conciliando dois trabalhos, compreende as limitações de tempo de quem a procura. Sempre que possível, adapta horários, incluindo fins de semana. Não por obrigação, mas por empatia.

Uma história permanece como símbolo do seu propósito: o primeiro cliente. Um homem marcado por cicatrizes no rosto e pelo medo de agulhas. Começaram com tratamentos não invasivos, avançaram com confiança e, aos poucos, os receios foram substituídos por autoestima. Hoje, esse cliente não pede procedimentos, pede orientação. Confia. E isso, para Nádia, é a maior validação possível.

A trajetória também trouxe aprendizados difíceis. Pessoas mal-intencionadas, competitividades desnecessárias e a constatação de que nem todos celebram o crescimento alheio. Aprendeu, com maturidade, que projetos novos exigem proteção emocional e foco.

O futuro é desenhado com lucidez e sonho: viajar, conhecer destinos como Malta e Maldivas, ampliar o leque de procedimentos, continuar a estudar, resolver compromissos financeiros, conquistar a própria casa em Bristol e ser reconhecida pelo trabalho que constrói, com consistência e verdade.

Nádia Silva – Foto: Reprodução

A mensagem que deixa é simples, mas poderosa: não permitir que ninguém destrua os próprios sonhos. Há sempre algo maior a iluminar o caminho. Não é fácil, mas quando se acredita, tudo se torna possível.

Nádia Silva não constrói atalhos. Constrói trajetórias.
E, em um mundo cada vez mais apressado, essa talvez seja a forma mais elegante de sucesso.

Para acompanhar mais sobre o trabalho e a trajetória de Nádia Silva:
Instagram: @nadialuisasilva

Rodrigo Gravuni

Writer & Blogger

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