Poucas franquias da indústria dos videogames alcançaram o nível de reconhecimento global de Assassin’s Creed. Criada em 2007, a série deixou de ser apenas uma coleção de jogos de ação histórica para se tornar um ativo estratégico multimilionário da Ubisoft, com presença crescente em diferentes formatos de entretenimento. Agora, com novos lançamentos, remakes e uma adaptação televisiva em andamento, a empresa sinaliza uma mudança clara: Assassin’s Creed está sendo reposicionado como um ecossistema de longo prazo.
Uma Virada Criativa com Assassin’s Creed Hexe
O próximo grande título da franquia, conhecido internamente como Assassin’s Creed Hexe, representa uma das mudanças criativas mais significativas da série até hoje. Diferente dos RPGs expansivos lançados na última década, Hexe promete uma experiência mais focada, com narrativa densa e atmosfera sombria, inspirada em temas como superstição, perseguição e medo coletivo.
Ambientado em um período marcado por caça às bruxas e instabilidade social, o jogo deve adotar uma abordagem mais intimista e experimental. A escolha de um roteirista veterano da franquia para liderar o projeto reforça a intenção da Ubisoft de apostar em narrativa como diferencial competitivo, algo cada vez mais valorizado em um mercado saturado de jogos de grande escala, porém pouco memoráveis.
Do ponto de vista estratégico, Hexe pode funcionar como um teste: se o público responder positivamente, a Ubisoft abre caminho para futuros títulos com identidade própria, abandonando parcialmente a fórmula padronizada que definiu a série por anos.
O Retorno de um Clássico: Black Flag em Nova Geração
Paralelamente à inovação, a Ubisoft também investe em nostalgia. O remake de Assassin’s Creed IV: Black Flag está em desenvolvimento e deve chegar antes do encerramento do ano fiscal de 2026. O jogo original, lançado em 2013, é amplamente considerado um dos melhores da franquia, graças à combinação de exploração naval, combate fluido e carisma do protagonista.
A nova versão promete gráficos modernizados, sistemas aprimorados e ajustes narrativos, com foco quase total na experiência histórica. Para a Ubisoft, trata-se de uma jogada de baixo risco e alto retorno: remakes bem-executados tendem a atrair tanto jogadores veteranos quanto uma nova geração que não viveu o auge da série.
Assassin’s Creed Fora dos Consoles: Aposta na Netflix
Outro pilar dessa expansão é a adaptação live-action de Assassin’s Creed para a Netflix. Com produção avançando e filmagens previstas para 2026, a série marca uma tentativa clara de transformar a franquia em um produto cultural mainstream, para além do público gamer.
O movimento segue uma tendência consolidada no entretenimento, onde propriedades intelectuais de jogos passam a competir no mesmo espaço que grandes universos narrativos do cinema e da televisão. Para a Ubisoft, uma série bem-sucedida não apenas amplia o alcance da marca, mas também impulsiona vendas de jogos, produtos licenciados e futuras adaptações.
Desempenho Financeiro Sustenta a Expansão
Apesar das mudanças estruturais e do aumento nos custos de desenvolvimento, Assassin’s Creed continua sendo um dos principais motores financeiros da Ubisoft. Resultados recentes indicam que a franquia superou expectativas internas, sustentando a confiança dos investidores e justificando novos aportes em projetos ambiciosos.
Essa estabilidade permite à empresa equilibrar riscos criativos com segurança comercial, algo raro em um setor onde fracassos de grandes produções podem comprometer anos de planejamento.
Um Ecossistema em Construção
O que emerge desse conjunto de movimentos é uma estratégia clara: Assassin’s Creed deixa de ser apenas uma sequência de lançamentos e passa a funcionar como um universo interconectado. Jogos principais, remakes, séries e possivelmente novos formatos convivem dentro de uma mesma visão de longo prazo.
Se bem executada, essa abordagem pode garantir a relevância da franquia por mais uma década, posicionando-a ao lado de outras propriedades intelectuais globais que transcenderam seu meio original. Para a Ubisoft, o desafio agora não é apenas lançar bons jogos, mas administrar uma marca que se tornou maior do que qualquer título individual.



